Olá Mentee,

Meu nome é Luisa Alves Escosteguy, tenho 18 anos e, em setembro, vou estudar matemática e ciência da computação em Carleton College, que fica em Minnesota, nos Estados Unidos. Nesse artigo, vou contar um pouquinho sobre como, do interior do Rio Grande do Sul, agora estou me preparando para 4 anos (bem) longe de casa.

Eu morei a minha vida inteira em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. Desde pequena, fui muito incentivada pelos meus pais a estudar, inclusive outros idiomas. Por isso, fiz o Ensino Fundamental no outro lado da fronteira, onde aprendi espanhol e inglês e desenvolvi o gosto pela matemática. No nono ano, fiz o vestibular para o IFSul, fui aprovada e, em 2015, comecei o técnico em informática para internet integrado ao Ensino Médio. 

Como decidi estudar fora

O sonho de estudar no exterior começou no final do meu segundo ano do Ensino Médio. Sempre fui bem ativa em atividades extracurriculares, participava de projetos de extensão, olimpíadas científicas e algumas aulas extras. Em dezembro de 2016, achei, por casualidade, no grupo do BSCUE, no Facebook, uma postagem sobre o Yale Young Global Scholars. Decidi aplicar, passei e, em julho do meu terceiro ano, fiquei 2 semanas em Yale. Voltei com uma certeza: queria estudar nos Estados Unidos.

O meu application

Em 2018, já no meu quarto e último ano do Ensino Médio, apliquei para quatro programas de mentoria: Bolsa Crimson Brasil, Prep Estudar Fora, BRASA Pré e ProDuca, sendo aprovada nos dois últimos. Tive duas mentoras sensacionais e o melhor grupo de mentoria que eu poderia querer. 

Uma das partes bem difíceis do application foram os testes. Eu moro no interior do RS e, para fazer o SAT, TOEFL e SAT Subjects, tinha que viajar 8h de ônibus. 

Comecei a estudar para os testes muito tarde e fiz a minha primeira prova no final de setembro, o que não recomendo para ninguém, já que o ideal é deixar o último trimestre só para as essays. Embora meu calendário de testes tenha ficado bem apertado, consegui ir bem nas provas e finalizar o application, mas sei que, se eu tivesse começado antes, teria ido bem melhor. Só depois de ver os meus resultados e os dos meus amigos é que me dei conta de como a nota do SAT faz muita diferença — sim, o processo é holístico, mas, para internacionais pedindo bolsa integral, essa nota tem que ser a mais alta possível.

Durante o ano, duvidei várias vezes da minha decisão, ainda mais quando via meus colegas se preparando para o ENEM. Cada vez que eu revisava minha college list, só com universidades competitivas, o meu sonho parecia inalcançável. O tempo passou e eu fui completando as etapas do application: preenchi o Common App, escrevi meu Personal Statement e os supplements, fiz as provas e preenchi os documentos para as bolsas. Quando me dei por mim, era dezembro e estava apertando “Submit” no Common App

Durante o application, acho que o maior desafio foi balancear o meu quarto ano do Ensino Médio com estágio (comecei no terceiro ano e terminei em maio do meu último ano), vestibular, application e as olimpíadas. Não pude dar a devida atenção para cada uma dessas coisas isoladamente, mas no final consegui bons resultados: me formei com desempenho ótimo, ganhei prata na OBMEP, fui aprovada com bolsa na FGV Rio, Grinnell e Carleton College, também passei na UFRGS e UFSM. Escrevendo parece fácil, mas, na época, achava que tudo ia dar errado e estava uma pilha de nervos. A dica aqui é focar em uma coisa de cada vez e aprender a priorizar e “let go” algumas oportunidades. Reflita sobre o que é mais importante para você e comece a se organizar! Quando der vontade de desistir, respire fundo e assista uma série (funcionava para mim), mas depois volte com tudo.

Em fevereiro, fui ao Rio de Janeiro estudar matemática aplicada, já que ainda não sabia o resultado das universidades americanas e não queria tirar um gap year. Recomendo ter sempre um plano B, mesmo que você tenha tirado um 1600 no SAT. 

Quando chegou março, que foi quando abri os resultados das universidades, me arrependi de não ter dado a devida atenção à College List. Durante o processo, dei importância demais pelo nome e prestígio das faculdades, assim apliquei para muitas universidades (a.k.a. ivys!) que eu não tinha o perfil e deixei de aplicar para aquelas que eu tinha o fit. Depois de algumas rejections, foi nomeada Kellogg International Scholar em Carleton College e recebi outra bolsa bem generosa de Grinnell College. Também fiquei na waitlist de Brown University, Dartmouth, Williams e Hamilton College

Em junho, descobri que não tinha sido aceita em nenhuma das listas de espera, porém, estou muito feliz em estar matriculada em Carleton College. Escolhi Carleton como minha casa pelos próximos 4 anos, porque, além de me proporcionar uma educação incrível em um ambiente muito colaborativo, terei a experiência universitária que eu sempre quis (talvez com um pouco mais de neve do que o ideal). Como muita gente ama rankings, aí vai: Carleton é a #5 Liberal Arts College dos Estados Unidos, #1 em Undergraduate Teaching (US News Best Colleges) e, entre todas as universidades americanas, #35 (The World University Rankings). 

Video do campus:

Considerações finais

Para prospective applicants: coloquem Carleton na college list de vocês! Além de ser uma universidade incrível que dá bolsas generosas para brasileiros, o application é 100% gratuito — aceitam ISFAA em vez do CSS, não tem application fee, aceitam self report e só precisa escrever 2 supplements curtinhos. Espero muito encontrar vocês no campus em um futuro próximo e qualquer dúvida que tiverem sobre Carleton mandem um email ou uma mensagem que vou ficar feliz em ajudar algum future Carl

Obs.: Não confundam Carleton College com Carleton University!